O que aprendi liderando uma equipe totalmente remota
Thiago Brito
1 de Abril de 2020 4 minutos de leitura

E do nada, uma doença que estava lá na China chega ao Brasil e pronto, era uma quinta-feira e ficou claro que nas próximas semanas estaríamos trabalhando de casa.

Ok, não estávamos preparados para isso. Nunca havíamos trabalhado home office em uma escala tão grande, com todo o time fora e muita gente nem tinha acesso ao nosso repositório fora da empresa.

Obviamente foi uma correria, tivemos que trabalhar cerca de dois dias para deixar tudo pronto para a próxima semana. Eu admito que estava ansioso, será que meu time vai conseguir entregar as nossas releases no prazo combinado? Será que o pessoal vai “tirar férias” e sumir do mapa quando era mais necessário?

Agora, depois de todo este tempo… eu posso te dizer: sobrevivemos.

As releases continuam sendo entregues, a qualidade do nosso trabalho está alta e as coisas estão andando perfeitamente bem.

Conversando com um dos meus times, refletindo sobre o nosso momento na empresa e sobre a nossa produtividade, me vi dizendo que só conseguimos manter a produtividade devido ao nível de maturidade que estamos no momento.

Sendo assim, eu queria destacar algumas coisas que ajudaram a nos manter focados em um momento de tanta incerteza e mudanças.

Clareza de onde queremos chegar

Ter um plano, simples e direto para atacar os problemas de curto prazo levando mais rapidamente ao nosso objetivo de longo prazo.

Este plano deve estar aberto para todo o time e ele deve ter toda a liberdade de critica-lo quando achar que deve. Isso requer que o líder tenha que sempre estar atento para o menor sinal de que alguém não entendeu e repetir sempre que necessário.

A simplicidade do plano é primordial, nós temos apenas 3 tecnologias que uma das equipes deve se preocupar e, a cada iteração, a cada release liberada uma destas tecnologias está sempre evoluindo.

Este processo traz um senso de progresso muito importante e acaba aumentando o comprometimento e senso de responsabilidade de cada um.

Comunicação é a chave de tudo

Uma das grandes vantagens do Home Office é que existem algumas barreiras que fazem as reuniões sejam mais complexas do que as presenciais.

Presencialmente é muito fácil virar e falar com o cara que está do lado, cutucar ele e iniciar um assunto qualquer. Ou chamar todo o time para a sala de reunião e pedir a eles para se reunirem lá… Muito simples, é só se levantar e se mover.

Mas remotamente, você tem que chamar um a um (ou mandar mensagem no grupo no Slack), definir um local para reunião (Google Meet, Discord, Skype), aguardar todo mundo entrar na sala e torcer pra que a internet esteja funcionando no processo.

Ufa! É melhor deixar pra lá… Será que um e-mail resolve?

Com menos reuniões, é muito fácil chegar nos extremos onde não se comunica nada e só falar quando a bomba está explodindo, ou ficar falando o tempo todo entrando no modo neurótico com microgerenciamento.

A atenção com a comunicação deve ser redobrada, pois um termo errado ou uma mensagem pode ser interpretada de várias formas diferentes. Pois só o que é lido é filtrado, perde-se todo o “olho-no-olho”.

A comunicação desleixada, que traz consequências ruins quando estamos falando presencialmente, pode ser catastrófico quando estamos remotamente.

É muito fácil perder a empatia de quem está do outro lado… Afinal, o máximo que vemos da outra pessoa é uma foto e um monte de texto, não existe contexto e o distanciamento pode ser um elemento chave para prejudicar o time.

Fique aberto para qualquer pessoa falar contigo, simplifique ao máximo suas mensagens e o mais importante de tudo é: fale todos os dias e busque identificar e não deixar pontas soltas de modo algum.

Continue aprimorando os processos

Os processos, durante a execução do trabalho presencialmente ajudam muito, mas no trabalho remoto é ainda mais importante.

Assim como falei com a comunicação ser a chave de tudo, aquele Code Review deve ser muito bem escrito, com detalhes que façam com que a pessoa que vai ler consiga entender sem a sua presença.

A “reunião em pé” deve continuar acontecendo, assim como a reunião de planejamento deve seguir… Não abra mão de nada que já funcionava bem presencialmente, aliás use este momento para aprimorar eles ao máximo para quando a quarentena passar.

Garanta que os times estão se comunicando e seguindo o que foi combinado sempre, os processos são o óleo da engrenagem e ele não pode deixar de existir de forma alguma. Caso contrário, vocês irão pagar o preço alto no futuro.

Melhore sua infraestrutura

É nestas horas que os buracos aparecem, aquele servidor que ninguém confiava acaba abrindo o bico. E o time de TI está remoto.

Quando está tudo mais difícil, a lei de Murphy está aí para atrapalhar ainda mais.

Em meus times ainda sofremos muito com servidores legado “on-premisse” que estão dando trabalho e resolveram pifar HDs, perder o acesso a rede sem motivo algum… só voltando depois que reinicia…

Se seu time também tem estes problemas faça de tudo para garantir que eles não se repitam. Talvez colocar estes serviços na nuvem é uma opção ideal.

É isso o que estamos trabalhando para fazer…

E nunca se esqueça: as entregas não podem parar!

E você? Como está este processo de Home Office forçado em sua empresa? Está gostando? Quais desafios você teve até o momento?

Coloca nos comentários pra gente falar mais sobre o assunto!